quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

 "E aquilo que me corroía silenciosamente por dentro e só eu sabia a dor, passou e levou junto minha confiança naqueles que mais diziam me amar, as vezes essa coisa volta, acho que não tem cura..."

Mas nada acontecia. Só restava tomar um táxi, dar o endereço, um livro nas mãos, comentar o tempo, a crise, espiar putas, michês, travestis pelas esquinas, vontade bandida que mal se esboça, depois a avenida reta, com luminoso de coca-cola, melita e galaxy, dobrar à esquerda, dobrar à direita, always in front of: reclamar, pagar, descer.
(Caio Fernando Abreu - Saudades de Audrey Hepburn, in: Os Dragões Não Conhecem O Paraíso)

Imagem: http://caiofernandoabreu.tumblr.com/

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